Atriz Paula Cohen lê peça ‘Marquesa’ nas Satyrianas

Nos meses anteriores à sua morte, Phedra de Cordoba, uma das melhores pessoas que já conheci, e também uma das mais engraçadas, mundanas e espalhafatosas, ensaiava minha peça MARQUESA, escrita especialmente para ela.
Eu ia a sua casa semanalmente, e enquanto alisava seu gato Primo Bianco, ouvia-a ler seu papel. Phedra já não decorava mais nada e a cada cinco minutos eu precisava pedir que voltasse ao texto e deixasse para depois detalhes da direção, do figurino, da trilha sonora.
Quem a conheceu, sabe o quanto era expressiva. Mesmo lendo a peça aos tropeços, dava um show de interpretação. Phedra, sozinha, era capaz de uma revolução no teatro.
O texto traz os delírios finais de Marquesa de Pompadour, na corte de Luís XV, entremeados à histórias biográficas da própria diva cubana. A direção seria da Paula Cohen e a produção de Gustavo Ferreira e Robson Catalunha, e infelizmente não tivemos tempo de levar o trabalho aos palcos.
Para homenagear a saudosa atriz que fugiu de Cuba na década de 50, convidei Paula a ler a peça nas Satyrianas, que começam na semana que vem.
Ela fará o papel da própria Phedra. Quem viu a homenagem à diva no Teatro Oficina Uzyna Uzona, uma semana antes da sua morte, sabe que Paula incorpora a cubana de forma engraçadíssima e inspirada. Uma noite colossal, nas palavras do anfitrião, José Celso Martinez Corrêa.
Para completar a leitura, Cléo De Páris dará voz à rainha Maria Antonieta ainda criança, que aparece nos delírios de Pompadour. Este era um desejo da Phedra, quando a peça tivesse mais corpo. Eu vou ler os dois papeis masculinos.
MARQUESA será apresentada na terça-feira (dia 15), às 15h, na SP Escola de Teatro, na Praça Roosevelt. É grátis! A programação completa das Satyrianas, que este ano tem como grande homenageada nossa querida Phedra, saiu no Catraca Livre. Está recheada de bons espetáculos, shows… Vamos?
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