artes plásticas

Originalmente, sou escritor com dez anos de atividade, e alguns livros publicados, entre romances, um livro infantil e um de gastronomia/viagem sobre a França, onde morei entre 2002 e 2006, trabalhando como cozinheiro. Sou também o idealizador da revista literária e de artes São Paulo Review. Há três anos, num hiato criativo de escrita, sem inspiração para escrever, comecei a pintar telas a óleo. Até então, havia trabalhado as artes visuais apenas na adolescência, com desenhos em nanquim e aquarela, e alguma passagem por xilogravura, que aprendi com um amigo, na juventude.
Logo que comecei a fazer meu trabalho artístico, de forma mais assídua, em 2016, percebi minha devoção à pintura a óleo, da qual sou grande apreciador. No primeiro ano, trabalhando todos os dias, essencialmente estraguei telas e gastei dinheiro em tinta, sem chegar a imagens que representassem minha forma de ver/sentir o mundo. Depois de muita tentativa/erro, comecei a criar uma experiência pictórica em que percebia minha alma e meu modo de sentir o mundo ao redor. Uma tela em branco, para mim, é como uma folha em branco. O processo de criação de uma pintura, para mim, tem a mesma gênese da criação de um poema. As pinceladas vão se sobrepondo umas as outras, como palavras se encontram para criar versos.
A partir de 2017, percebi que queria pintar as paisagens da minha infância – entre as montanhas da Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais – assim como paisagens brasileiras, da forma que as vejo… não apenas o país de natureza exuberante, mas um Brasil de paisagens áridas e acinzentadas, de florestas devastadas por queimadas criminosas, rios de sangue, céus tempestuosos. O Brasil, hoje todos sabem, não é apenas o país vendido no exterior, colorido, das florestas e mares exuberantes, do carnaval, do samba e do futebol. É também o país da catástrofe, de tempestades que devastam cidades e a mata, do poder econômico que destrói a Amazônia. Este foi o ponto de partida para o trabalho artístico que estou desenvolvendo agora.
Com pinceladas rápidas carregadas de tinta, procuro dar vida às paisagens deste país, que, agora, devido ao momento político também catastrófico, mostra-se ainda mais obscuro.
A primeira série que me chamou a atenção sobre a pesquisa que queria desenvolver em matéria de pintura se chama “Floresta no escuro com rio de sangue”. Foi criada em 2017. É composta de quatro pequenas telas (15x15cm), que trazem florestas negras sob um céu azul vivo, com rios de sangue correndo por entre as árvores. Esses rios representam quatro assassinatos de ativistas-ambientalistas na região amazônica.

As telas seguintes são maiores (80 x 80cm, em média). Elas passaram a trazer céus tempestuosos feitos de pinceladas rápidas nas cores negro, grey de paine e cinza. Esses céus de tormenta representam igualmente minhas paisagens internas, inquietas e repletas de medo, e a forma errante em que me relaciono com a natureza.

Também em 2017 percebi que meu trabalho dialoga com artistas do Romantismo, mas de uma forma contemporânea e bastante brasileira, sem perder de vista a tradição da pintura nacional. Entre minha inspiração máxima, no Brasil, cito os últimos e obscuros trabalhos do artista gaúcho Iberê Camargo.

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“Tempestade 3” – 2018
Óleo sobre tela (50 x 40cm)
Moldura em caixa de madeira reciclada dourada
Criada a partir da poética de Caspar David Friedrich, mostra um céu tempestuoso e um campo verde escuro, com três arbustos. Uma floresta devastada ao vento. Do céu escuro chega um clarão, criando uma atmosfera de tormenta. Mais uma representação da natureza assolada.

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“Floresta no escuro com rio de sangue” – 2017
Série com quatro telas (15 x 15cm, cada uma)
Óleo sobre tela, molduras de caixinha de madeira de reflorestamento.
A inspiração aqui é a Floresta Amazônica. Não aquela de mata exuberante, mas a mata que vem sendo queimada e destruída, ano a ano. O rio de sangue em cada pequena tela representa quatro mortes ocorridas no local, de ativistas ecológicos que tentaram salvar a floresta, entre eles, da missionária norte-americana Dorothy Mae Stang; do seringueiro e ambientalista brasileiro Chico Mendes; e do casal de protetores da natureza Casal José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, ambos assassinados em 2011.
A série também é uma homenagem as 57 pessoas assassinadas, em 2017, na região amazônica. Importante dizer que o Brasil é o país que mais mata ativistas-ambientalistas no mundo, de acordo com a ONG britânica Global Witness.

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“Tempestade 1” (80 x 80cm) – 2018
Óleo sobre tela
A obra parte das paisagens criadas no movimento Romântico, nas artes, e representa o tempestuoso momento político e social do Brasil… um país onde tempestades de verão varrem morros nas favelas, deixando centenas de pessoas sem casa, e matando outras centenas. O que poderia ser encarado como revezes da natureza é, na verdade, falta de política eficaz voltada para a habitação dos mais pobres, no Brasil.

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“Tempestade 2” (30 x 20cm) – 2018
Óleo sobre tela, moldura em caixa de madeira reciclada dourada
Criada a partir da poética de Caspar David Friedrich, mostra um pedaço de céu tempestuoso e um campo verde escuro. Céu e chão se misturam, criando uma atmosfera de tormenta, transtorno, distúrbio e desassossego. A obra foi criada com apenas quatro cores de tinta em pinceladas rápidas: Peyne Grey, Branco de Zinco, Verde Terra e Preto.
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“Floresta queimada 2” (20 x 20cm) – 2017
Óleo sobre tela, moldura de caixinha de madeira reciclada
Obra feita com as mesmas quatro cores citadas acima, Grey de Payne, Branco Zinco, Verde Terra e Preto. Movimento Romantismo revisitado e trazido para o contexto brasileiro.

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“Floresta queimada 3” (10 x 10cm) – 2016
Óleo sobre tela, moldura de caixinha de madeira reciclada
Inspiração no contexto brasileiro de destruição das nossas matas.

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Série “Janelinha com paisagem” – 2019
(Cinco telas 15 cm x 20 cm cada uma, com moldura)
Óleo sobre tela, com molduras de madeira reciclada

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